terça-feira, 23 de julho de 2024

Abandonado!

 Já fez um mês que passei por aqui! Olhei para a lista de publicações e reparei que só fiz 5 publicações este ano, menos de 1 por cada mês que passou. Tenho prestado mais atenção ao outro blog, a cargo do Manel da Rita que foi transferido do Sapo para esta plataforma do Blogger. Alimentar os dois parece-me asneira e, como não estou na disposição de eliminar este, vou mantendo as coisas como estão.

Até um dia !!!


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Seis palmos e meio de terra!

 Segundo as regras dos nossos avós, um defunto devia ser enterrado seis palmos e meio abaixo da terra que pisamos. Isto para evitar que pudéssemos ser contaminados por algum vírus ou bactéria que eles tivessem em vida ou até depois de mortos. E bactérias é o que mais há num morto, pois são elas que se encarregam de o comer e transformar, de novo, em matéria orgânica. Tal e qual como está escrito nos livros sagrados, do pó vieste e ao pó retornarás.

Tenho ido visitar o cemitério de Macieira e desde que soube o lugar aproximado, onde foi enterrada a minha bisavó Eusébia, passo o tempo que lá estou a olhar para os cerca de 50 metros quadrados, ocupados por 9 sepulturas, porque sei que foi naquele espaço que foi sepultada, nos idos de 1938.

Um dos 9 jazigos está meio abandonado e vou fazer uma proposta à sua proprietária, de seu nome Eunice Oliveira, para passar para mim essa propriedade. Aliás, segundo informações que recebi, a D. Eunice emigrou para Angola, há muitos anos, e após a independência regressou a Portugal e foi viver para a Régua que era a terra do seu marido. Não sei que idade teria, quando foi para Angola, mas devia ter a maioridade (21 anos) para poder emigrar assim sem a companhia dos pais. Isto pode ter acontecido meia dúzia de anos antes do 25 de Abril, e se isso for verdade, pode ter, hoje, muito perto de 80 anos. Ou ter já falecido!

Se puder adquirir esse tal jazigo, planeio substituir a pedra-mármore que compõe a cabeceira por outra que tenha os seguintes dizeres:

Em memória de
Eusébia Alves de Sousa
e seus familiares sepultados neste cemitério

Nunca saberei o lugar exacto, onde ela foi sepultada, mas terei a certeza que estou a pisar a terra muito próxima daquela que lhe cobriu o caixão, 7 palmos mais abaixo! 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Há irmãos assim!


 A minha bisavó chamava-se Eusébia e tinha um irmão chamado José (além de outros). Ela foi mãe solteira e, mais tarde, casou-se e nasceu mais uma filha, a minha avó Maria. O seu irmão José foi a Rio Covo (Barcelos) procurar noiva, casou e trouxe-a para Macieira. Os dois começaram a trabalhar para garantir a posteridade e deram à minha avó 10 sobrinhos.

Dois desses sobrinhos viveram ao pé de mim, éramos vizinhos, toda a vida que Deus lhes permitiu gozar e que foi longa. O sobrinho homem chamava-se David e encheu a freguesia de filhos. Era um velhote engraçado com uma voz nasalada, por isso lhe pusemos a alcunha de Fanhoso e havia, também, quem o chamasse de "fungadeira" pelo esforço que ele fazia para falar pelo nariz.

O outro sobrinho era ... uma sobrinha e chamava-se Rosa. Nunca casou e tinha horror aos homens, principalmente, pelo seu hábito de fumar. Ela não suportava isso. E nas infindáveis noites de inverno, passadas à roda da lareira, na nossa casa (ela fugia da dela e da solidão que lá imperava) onde ela contava peripécias da sua já longa vida - quando eu nasci ela já ia para lá dos 60 -  e uma que ainda recordo era a de um enfermo, já não recordo se era um seu familiar ou não, no seu leito de morte suplicar que lhe trouxessem a caixinha do rapé, pois sentia necessidade de uma pitada.

Ele devia estar a pedir perdão a Deus pelos seus pecados e, em vez disso só pensa no rapé, maldito vício, dizia a Tia Rosa! No século XIX ainda não era um hábito fumar cigarros, como hoje os conhecemos. O tabaco aparecia em charutos (para quem tinha dinheiro para isso) ou preparado para mascar. Eu sempre achei isso um nojo. Mastigar o tabaco e depois cuspir aquela mistura nojenta e castanha, para mim era um verdadeiro nojo.

E havia ainda o costume de fungar rapé que mais não é do que tabaco em pó. Uma pitada era aquilo que se conseguia apanhar unindo os dedos polegar e indicador, mergulhando-os na caixinha do rapé. E depois aproximava-se o pó do nariz e fungava-se, como se faz, hoje, com a cocaína. Havia caixinhas em prata que eram verdadeiras obras de arte, mas não acredito que o tal velhote que estava em vésperas de ir prestar contas ao Criador tivesse uma dessas. Talvez uma mera caixinha de lata e é um pau!

Para terminar, quem se lembra da canção seguinte:

Tia Anica, tia Anica
Tia Anica de Loulé
A quem deixaria ela
A caixinha do rapé! 

sexta-feira, 29 de março de 2024

A família Ponce de Leão!

Texto extraído da História da Quinta dos Curvos, anteriormente, denominada de Santa Marinha.

O filho de Manuel Belo e Ana Ribeiro, de nome Jácome da Silva Ribeiro, casou com D. Isabel Dias Ferros, da cidade de Viana, oriunda dos Ferros Ponce de Leão, família nobilitada de raiz espanhola. Deste casamento nasceu Gonçalo Ferros Ponce de Leão que se radicou em Barcelos, onde se transformou em próspero negociante.
Segundo João do Minho [12], este Jácome Ferros Ponce de Leão apaixonou-se por uma fidalga de Paredes de Coura que, sentindo contrariedades no seu casamento, foi por ele raptada, casando-se logo a seguir. Trata-se de Inácia da Rocha de Antas da Cunha, natural da freguesia de Água Longa, desse concelho. Do casamento nasceu Roque Ferros Ponce de Leão, notável Organista na cidade de Barcelos, o qual viria a casar com D. Luísa de Vilas Boas, filha de António Fernandes Simão, natural de Barcelos, e de sua mulher Maria da Costa, esta de Barcelinhos, como se refere na Escritura de dote realizada em 1664.
Do casamento de Roque Ferros e de Luísa Vilas Boas nasceram três filhos – Francisco Ferros Ponce de Leão, Maria da Rocha Ferros e Inácio Ferros. Sendo Francisco o Morgado, herda de seus pais a Quinta de Curvos. Casa com Grácia Barbosa de Faria Jácome[13], filha de Bento Barbosa e de Francisca Jácome. Desta união nasceu Roque Ferros Ponce de Leão que, como filho único, herdou o vínculo da Quinta de Curvos. Casa-se com Vitória Maria Taveira de Lima , filha do Capitão Simão Taveira dos Reis, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo e de sua mulher Teresa Maria Teodora de Lima, de Viana do Castelo. Do matrimónio nasceram José António Ferros Ponce de Leão, Teresa Ponce de Leão[14], Maria Teresa Ponce de Leão, Roque Ferros Ponce de Leão [15], João Baptista Ferros Ponce de Leão [16] e António Caetano Ferros Ponce de Leão[17].
O filho morgado, José António, fica com a Quinta e casa com Teresa Maria da Costa Pereira, senhora da Quinta do Bravio no Couto de Capareiros. Era filha de Manuel da Costa Pereira, conhecido por Canhoto, e de Vitória da Esperança Martins Pedra. Deste casamento nasceram Francisco Ferros Ponce de Leão, José , António [18] e Apolinária Ferros Ponce de Leão.
A Casa e Quinta de Curvos passa para o filho morgado Francisco Ferros, Major de Milícias da Barca que casa com Maria Veloso Pereira Barreto, da Casa de Serreleis, Viana do Castelo. Este Ferros Ponce de Leão foi um esturrado Miguelista e é, segundo José de Sousa Machado [19] “... o herói burlesco do Poema herói-cómico, feito em 1829, por J. R. F. de Magalhães e Castro, ainda inédito “.
Faleceu em 24 de Dezembro de 1828 e sua mulher em 14 de Setembro de 1867.
Do casamento nasceram Roque Ferros Ponce de Leão, em 22 de Dezembro de 1816, vindo a morrer dois anos mais tarde em 4 de Agosto e Francisco Ferros Barreto Ponce de Leão que nasceu em 24 de janeiro de 1818, tendo falecido solteiro em 26 de Março de 1878.
Foi Francisco F. B. Ponce de Leão, conhecido Poeta Popular, quem herdou o Morgadio de Curvos.
Sem filhos, à sua morte, os herdeiros, completamente desligados deste morgadio, vendem-na [20], em 1882, ao Comendador Domingos Gonçalves de Sá, natural da vizinha freguesia de Aldreu, mas residente na cidade do Porto, casado com Luísa Arminda Ferreira de Sá.

Índice das anotações, à margem:

[12] - João do Minho – Op. Cit.

[13] - Escritura de Dote de Casamento realizada em 27 de Fevereiro de 1709

[14] - Ficou Solteira

[15] - Foi Capitão e casou com D. Clara Joaquina de Almeida e Amaral. Deste casamento nasceu Rosa Joaquina Ferros Ponce de Leão, nascida na Quinta de Curvos, em Forjães. Esta casou, em 2 de Janeiro de 1830, com João de Gouveia Mendonça Faria Gayo, filho natural, legitimado por testamento feito em 4 de Dezembro de 1817, de Dr. Pedro de Gouveia Mendanha Faria Gayo, formado em leis pela Universidade de Coimbra. Foi superintendente nas obras de Encanamento do Rio Cávado (1800) e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Este João de Gouveia Mendanha Faria Gayo era sobrinho do Linhagista Dr. Manuel José da Costa Felgueiras Gayo, autor da monumental obra “Nobiliário de Famílias de Portugal”, em 28 volumes.

[16] - Clérigo de Missa, Vigário de S. Tiago de Aldreu

[17] - Emigrou para a cidade da Baía - Brasil

[18] - Emigrou para a América

[19] - MACHADO, José de Sousa – Últimas Gerações de Entre Douro e Minho : Apostilhas às árvores de costados das Famílias Nobres, Vol. II, Braga 1932.

[20] - Escritura de Compra e Venda datada de 27 de Julho de 1882

quinta-feira, 21 de março de 2024

Curiosidades!

 



Para matar o tempo que é o que mais tenho, de momento, fui espreitar o assento de baptismo da minha bisavó materna (uma delas) Maria Rosa. Várias coisas chamaram a minha atenção nesse documento. A primeira de todas sendo o dia de nascimento que aconteceu no dia 5 de Abril e não 19, como eu tinha assumido e referido em escritos anteriores. A segunda é a informação incluída no documento que especifica que esse baptismo foi feito "Sub-conditio" (do Latim sob-condição) por ter sido já baptisada em casa por estar em perigo de vida.

Quando o bebé corre perigo de vida é habitual ser baptizado de urgência pela pessoa que lhe esteja mais próxima, de preferência um homem. O acto consiste apenas em pronunciar o nome escolhido, seguido das palavras "eu te baptiso, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ao mesmo tempo que desenha o sinal da cruz na testa da criança. Assim, se a criança morrer já terá direito a ir para o céu, segundo a crença dos cristãos. Não tendo sido baptisada ficaria no Limbo por toda a eternidade.

O documento que quis publicar aqui para que fique guardado pela Google, é difícil de ler, mas eu estou habituado a decifrar estes "alfarrábios" e se necessário consigo pô-lo em letra de imprensa. Uma das informações que retiro daqui é a naturalidade do pai da bebé Maria Rosa que é a vizinha freguesia de S. Bento da Várzea. Por curiosidade foi nessa freguesia que ela, 18 anos mais tarde, viria a encontrar o homem que fez dela mulher, engravidando-a do seu primeiro filho, o meu tio-avô David nascido na última década do Século XIX.

E por último, o seu padrinho era o famoso Morgado da Quinta de Curvos, Francisco Ferros Ponce de Leão, à data morador na Villa de Barcellos, que assinou o seu nome, numa altura em que poucos o conseguiam fazer, junto do nome do pároco da freguesia de S. Jorge de Airó. Gente famosa é outra coisa!!!

terça-feira, 5 de março de 2024

Rio Covo!

O documento mais antigo que se conhece mencionando esta freguesia data do ano de 906, designando-a de Santa Eulália de Águas Santas, Santa Olaia ou Santa Baia, como outrora lhe chamava o povo. Só mais tarde é que viria a adoptar o apelido do rio que nela passa. Aparece neste tempo igualmente com a designação de Sylva Scura significando “ bosque escuro” dando a entender que seria uma zona de mata densa. As suas fronteiras mantêm-se desde então sem alterações significativas. A designação de “Águas Santas” resulta das águas de uma fonte desta Freguesia serem consideradas milagrosas.

No Censual de Braga, do século XI, já surge com a designação de Santa Eulália de Ribulo Côvo. A Freguesia aparece ainda mencionada nas Inquirições de D. Afonso II, em 1220. Depois, em 1290, aparece como Couto de Santa Ovaia de Rio Côvo.

Rio Côvo Santa Eulália, estava integrada nas Terras de Faria. O Rei não tinha aqui algum reguengo e davam ao Senhor da terra “colheita” umas vezes o terço, outras o quarto e outras o quinto. Esta Freguesia tinha dentro dos seus limites sesmarias e 18 casais, o Hospital 11 Casais, o Sepulcro 1 casal e Várzea 4 casais. A sua comenda tinha ainda casais em Midões, Silveiros, Remelhe, Moldes, Pedra Furada, Chorente, Moure, Paradela, Pereira, etc.
Esta Freguesia foi Comenda dos da Ordem dos Templários que, segundo a opinião de alguns escritores, foi admitida em Portugal, em 1125, pela Rainha D. Tareja. Em 1128, já tinha casa em Braga, onde também teve um Hospital. Extinta a Ordem dos Templários em 1312, el-rei D. Dinis criou a nova Ordem de Cristo, passando para esta todos os bens daquela.

O meu bisavô João José, não era desta freguesia, nem tão pouco a mulher com quem ele decidiu casar-se, mas foi aqui que decidiu formar a sua família e aqui viveu até que o Criador o chamou à sua presença. Mais de meia dúzia de filhos aqui viram a luz do dia e daqui partiram para conhecer o mundo, talvez a excepção seja o filho mais velho, David, que nasceu ainda antes do seu casamento, enquanto a sua mãe morava ainda na casa dos pais, na freguesia de S. Jorge de Airó.

Ainda não conheço a praiinha fluvial que a imagem acima mostra, mas prometo lá voltar e procurar a praia, além da "fonte milagrosa" referido no texto acima transcrito. Santa Baia, a freguesia onde o meu primo Zé Canano foi escolher noiva para se casar. Lembro-me bem de o meu pai aparecer com a notícia lá em casa. O meu afilhado, disse ele, foi arranjar mulher a Santa Baia que é 10 anos mais velha que ele, mas tem uma casinha, onde podem ficar a morar. Muito prático este meu primo, não o posso censurar que a vida é bem difícil e traz-me à memória aquele ditado que diz: - Viver não custa, o que custa é saber viver. E ele sabia, era um lutador, pena foi a doença levá-lo tão cedo deste mundo. Que tenha o descanso eterno, desejo eu ao recordá-lo aqui!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Este fato faz com que diversos pesquisadores acreditem que João Garcia era um dos cavaleiros ao serviço da importante linhagem dos Sousa, o que parece, de resto, confirmar-se pelo fato de o seu nome surgir, nas Inquirições de 1258, ao lado do conde e trovador Gonçalo Garcia de Sousa, filho de Garcia Mendes e Elvira Gonçalves.

Pelas suas composições se depreende que teria frequentado a corte castelhana de D. Afonso III, e permaneceu alguns anos na corte de Afonso X de Leão e Castela, acompanhando talvez o percurso inicial de Gonçalo Garcia, ou mesmo do seu irmão, Fernão Garcia de Sousa.

Em meados do século, João retornou a Portugal, provavelmente a Faria, perto Milhazes, onde criou os seus filhos e local onde se encontram duas de suas composições. Está ainda documentado aí em 1270, confirmando o testamento de um Lourenço Martins, marido de Sancha Pires de Guilhade, provavelmente sua familiar.

Igreja Paroquial de Milhazes

Encontrei este texto na Infopédia e resolvi transcrevê-lo para aqui, o que vai servir para eu aprofundar, ou talvez não, as minhas origens no que respeita à freguesia de Milhazes, concelho de Barcelos.

A minha trisavó, Ana Martins, registou o seu filho João José com o apelido de Sousa, vá lá saber-se porquê. Como se pode ler no texto acima transcrito, os apelidos de Sousa e Martins já existiam no Século XIII, mas seria muito difícil, ou até impossível, descobrir que relação de família podia existir entre esses senhores - que parecem pertencer à Nobreza - e a minha familiar directa de há 4 gerações, nascida no dealbar do Século XIX que usava o apelido de Martins.

Milhazes é uma pequena freguesia, com menos de mil habitantes que foi agregada a Vilar de Figos e Faria, formando uma União de freguesias, por aplicação da chamada "Lei Relvas". Situada na encosta do Monte de Nossa Senhora da Franqueira, virada a ocidente e a poucos quilómetros do Oceano Atlântico (em linha recta). Vê o sol nascer um pouco mais tarde que os seus vizinhos do outro lado do monte, mas, em contrapartida, vê o sol até ele se esconder no mar.

Como todas as mães solteiras desse tempo, a minha trisavó Ana, fugiu de Milhazes para a Várzea, outra freguesia de Barcelos, situada a oriente do referido Monte da Franqueira, para se poupar à vergonha de parir um filho sem pai. Pai ele devia ter, pois a minha avó não engravidou por obra e graça do Divino Espírito Santo, como a Virgem Maria, mas dar as caras e assumir o filho é que ele não fez. Talvez ele usasse o apelido de Souza e descendesse do tal Fernão Garcia de Souza, mencionado acima.

Não vejo outra razão para a minha antepassada registar o filho como Souza, a não ser criar uma ligação entre pai e filho para que eu, muitos anos passados, disso tomasse conhecimento. Infelizmente, nunca o conseguirei comprovar, pois não há quaisquer registos, antes do ano de 1606. O primeiro registo data de 29 de Novembro, desse ano e o seguinte registo é já do ano de 1607.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Raízes!

Imagino assim o meu tio-avô David
a segurar o dedo do seu pai

São as raízes que amarram uma árvore ao solo e não deixam o vento arrancá-la. Assim acontece comigo que cultivo as minhas raízes para justificar a minha presença no mundo.

As palavras "pai incógnito" ou "filho natural" são como portas que se fecham sobre o nosso passado e não nos deixam ir mais além para conhecer a história dos nossos antepassados. E a falta de respeito pelos apelidos que eles usaram lançam uma nuvem que tudo obscurece.

A minha avó paterna Ana Maria foi registada com o apelido de Oliveira, mas era filha de uma mulher sem apelido nenhum - tinha sido colocada na "Roda" quando era bebé - e eu muitas vezes me pergunto quem será o responsável por esse apelido. A resposta que mais me ocorre é que o pai incógnito se chamava assim e a mãe quis que ela lhe ficasse com o apelido. Mesmo sem o pai a reconhecer como filha e o mundo nada saber sobre o assunto. Uma espécie de vvingançazinha feminina, que as mulheres, como sabemos, são o diabo em figura de gente.

Se me viro para o ramo materno da minha família, o avô da minha mãe era Sousa e também ela usou esse apelido, mas não o herdou do avô e sim da sua mãe que Sousa era também. A parte engraçada é que esse meu bisavô era filho de pai incógnito e a sua mãe só tinha o apelido de Martins. Onde foi ele buscar o Sousa então?

E mais vos conto ainda. O bisavô José João, era esse o seu nome de baptismo, teve muitos filhos e a todos deixou a herança de Sousa, venha lá o apelido de onde vier. Quatro dos seu filhos vieram aterrar aqui na Póvoa, o que justifica a minha vinda ao mundo, pois um deles engravidou a minha avó e depois pirou-se para França, de onde nunca mais voltou.

Este meu avô devia ser um homem de força, mesmo sem o conhecer sou obrigado a admirá-lo e prestar-lhe esta homenagem, aqui neste cantinho da internet (que ninguém lê, mas chega a todos os cantos do mundo) que eu reservei para falar dos que viveram antes de mim, as minhas raízes. E digo que ele era um homem e peras pelo que li nas entrelinhas do registo de baptismo do seu primeiro filho que recebeu o nome de David, como o pai da nação judaica.

A Maria Rosa que tinha uns apelidos, que me coíbo de mencionar aqui, a lembrar uma família cigana, conheceu o meu bisavô era ainda menor de idade. Isso não é defeito, nem doença contagiosa, por isso os dois foram-se enrolando, enrolando, até que ela ficou grávida. É muito natural, dirão os meus leitores, esses enrolanços, normalmente, acabam assim. Mas não é aí que está a piada, essa está no facto de ter sido o meu bisavô que levou o filho à igreja para ser baptizado.

E o pároco da freguesia também devia ser fresco para assar, pois perguntou ao pai da criança, sabendo-o solteiro, de quem era o filho e a que propósito era ele a vir baptizá-lo. Depois das necessárias explicações com que o meu antepassado o brindou, o pároco disse da sua justiça: - só te baptizo o filho se me prometeres voltar aqui com a mãe dele e te casares com ela.

E é aí que eu admiro o carácter do meu bisavô, um homem de palavra que, cumprindo a palavra que dera ao pároco da freguesia, lá voltou com a Maria Rosa para receber a sua benção. Se o filho dele, de seu nome António, tivesse seguido o exemplo do seu pai ... a minha avó Maria não teria morrido solteira! 

quinta-feira, 30 de março de 2023

 Dos 7 filhos do avô Jerónimo apenas 3 constituíram família, em Macieira, os outros 4 evaporaram-se, como se tivesse passado naquela aldeia uma forte rajada de vento que os levou para longe!

Das 3 filhas, assim como do filho mais novo, o Luiz, não consegui nenhuma pista. Nesta situação há 3 possibilidades a considerar:
1º - Faleceram sem deixar descendência.
2º - Não se casaram nem tiveram filhos.
3º - Casaram e abandonaram a freguesia.
Neste último caso, posso ainda encontrar-lhes o rasto, desde que tenham casado em Macieira, basta-me consultar o livro dos casamentos da época. Ontem, não tive tempo para o fazer, pois perdi muito tempo a verificar os outros pressupostos.
Nunca me interessei muito pelo livro dos óbitos, pois o registo é tão pobrezinho que dá dó. Além da dificuldade da leitura, acresce a pobreza dos dados biográficos. Trouxe comigo 2 exemplos para vossa apreciação.


O primeiro refere-se a um dos meus antepassados, Joam Thomé e trouxe-o por duas razões. A primeira pela qualidade da caligrafia e a segunda por ter o vigário da freguesia um nome igual a um dos meua avós mais antigos, Bento Alvares. Talvez este Bento que se fez padre seja neto do outro e assim meu familiar também.
O segundo tem também uma caligrafia aceitável, coisa que não acontece com a maioria dos registos e regista o óbito de uma Maria Ferreira que me fez pensar que poderia ser a tal, mas depois de ver o nome do pai tive que pôr de parte essa hipótese. Metade dos registos é quase ilegível, sela pela má caligrafia ou péssima microfilmagem. Bom seria munir-me de uma lente de aumento 10x e ir até Braga estudar o original desses livros, só que ainda não arranjei motivação suficiente para o fazer.
Encontrei o registo dos filhos, José, Manuel e António e até dos netos, mas não senti nenhum apelo do sangue para continuar a seguir-lhes o rasto, são apenas nomes que não acrescentam muito ao que já sei. O José e seus descendentes são a minha família que já tenho guardada. Do José nasceu o Joaquim e deste nasceu Eusébia que deu vida à minha avó Maria que foi quem me criou com o maior carinho e a venero como se fosse a minha mãe verdadeira, pois esta tinha outros afazeres e muitos mais filhos para aturar. Eu era o mais velho e fiquei logo aos cuidados da avó, era menos um a dar dor de cabeça à mãe, cuja preocupação maior era trabalhar para ganhar o pão nosso de cada dia para os muitos filhos que chegavam a cada 20-24 meses, sem parar.
Eusébia Alves de Sousa, Maria, sua filha, e Rita, minha mãe, todas usaram o mesmo apelido composto pelo Alvares, depois Alves, de Macieira e pelo Sousa herdado de trisavó Illena que veio de Balazar casar com o José, meu antepassado aqui mencionado mais que uma vez. 
E aqui termino esta viagem pelo século XIX, não sei se lá voltarei, pois me faltam objectivos que o justifiquem.

quarta-feira, 29 de março de 2023

O Jerónimo e a Maria!

 


O Sr. Jerónimo Ferreira nasceu no Lugar do Outeiro, freguesia de Macieira, concelho de Barcelos.
O seu pai, Manuel Ferreira, era de Gueral e a mãe de Macieira, onde o casal ficou a viver depois do seu casamento.
Até aqui tudo fácil e claro como água cristalina que jorra da Fonte do Outeiro, de onde eu bebi até aos meus 11 anos de idade. Aliás, a água dessa fonte servia para tudo, para beber, para cozinhar, para lavar a roupa e muito mais. Descobri que o Avô Jerónimo teve 7 filhos, 4 rapazes e 3 raparigas. Como o filho mais velho, José, foi o seguidor do pai na minha lista de descendentes, até hoje, só concentrei as minhas pesquisas nesse antepassado e seus filhos, mas agora vou tentar saber o que se passou com cada um dos outros irmãos.
O único meio que tenho é o livro de assentos do baptismo, aqueles que vivam na freguesia e registem filhos em seu nome é fácil apanhar-lhe o rasto, aos outros só por coincidência nos podem cair debaixo dos olhos. Em tempos mais recentes, começou a averbar-se no registo de nascimento o casamento, a viuvez e a morte, mas só a partir do Século XIX, antes disso não há outro recurso. Homens que casam e vão viver para outra freguesia, mulheres que seguem esse mesmo destino, aqueles que não tiveram filhos ou morreram na infância, não há como os localizar.
Os filhos e filhas do avô Jerónimo usavam o apelido de Álvares Ferreira, não me será difícil descobrir aqueles que tiveram filhos e os baptizaram em Macieira, dos outros nunca conseguirei descobrir o destino que levarem. Isto, porque me dei ao trabalho (durante 6 meses) de copiar para uma folha de Excel todos os assentos de baptismo da minha freguesia, ou seja, tenho uma Base de Dados que mais ninguém tem (e vendo-a a quem oferecer o melhor preço):
Por aqui me fico, hoje, e voltarei ao assunto logo que tenha notícias da MARIA, a filha mais velha do casal, a seguir a ela virá o meu avô da sétima ou oitava geração, José, de quem tenho já os dados recolhidos.

sábado, 28 de janeiro de 2023

Os apelidos!

 


Eu tenho uma família grande. São 5 irmãs, começo por elas como aconselham as regras da boa educação, e 6 irmãos e meio. O último é só meio, porque não nasceu da minha mãe, é apenas filho do pai que o arranjou, antes de arrumar as botas da sua masculinidade.

Elas, as irmãs, casaram-se e assumiram os apelidos dos respectivos maridos, Correia, Cardoso, Moreira, Santana e ... chega que a última ainda é solteira. Quanto aos irmãos é que foi uma grande confusão, o primeiro quis ser Silva, o segundo preferiu ser Alves, o terceiro voltou a ser Silva e os 4 restantes dividiram-se a meio, metade para cada lado, os Alves muito mais marcantes que os Silvas pela profissão e contacto com o público escolhidos. Há quem viva a ouvir, de manhã à noite, Sr. Alves para aqui, Sr. Alves para ali, enquanto outros ouvem apenas o seu nome próprio, bom dia Tony, olá Jorge!

O mundo é assim mesmo, ninguém votou para ser assim ou assado, foi, simplesmente, acontecendo e assim ficará para sempre. O meu pai, de quem herdei o apelido Silva, gostava que o tratassem por Sr. Oliveira, nome de família da minha avó Ana Maria, e quem o conhecia bem respeitava esse seu desejo. Mas a maior parte das pessoas que não estava por dentro desses segredos, sim porque preferir o apelido da mãe em vez do do pai tem um segredo que vos não vou revelar, tratava-o pelo seu nome próprio, Sr. António, ou apenas António.

O segredo que envolve o meu pai atinge-me também a mim, eu preferia ser Santos em vez de Silva, mas não me vou pôr de joelhos a pedir às pessoas que alterem o registo que têm gravado na sua memória, há tantos anos. Nasci Silva e vou morrer Silva e o resto que se dane.

Mas voltando aos irmãos ALVES que quiseram preservar para a posteridade  o apelido da sua mãe e avós maternas, o Quim, o Zé e o Aires, hei-de perguntar-lhes se foi decisão sua ou houve alguém que os empurrou para esse caminho. Uma coisa interessante e que pode ter alguma coisa a ver com isso é que todos eles gastaram a sua juventude, estudaram ou tiveram o primeiro emprego, em Vila do Conde. O primeiro deles começou a trabalhar, com 13 anos, em casa de uma família que também era Alves e talvez venha daí a escolha do apelido a usar para o resto da vida. Os outros dois, talvez por frequentarem o mesmo espaço e serem conhecidos por irmãos do primeiro Alves. Se não foi assim foi de outro modo que não conheço e nem vou matar-me por causa disso.

O meu avô mais velho que só conheci através da Genealogia era ARAÚJO, depois veio um FERREIRA e a seguir a esse um ALVARES e a partir daí foi sempre o nome da linha feminina que prevaleceu, Alvares ou Alves, até ao Século XX, em que a República tentou pôr ordem nas coisas e construir os nomes de família com o primeiro apelido da mãe e o último do pai, regra que foi, integralmente, respeitada na emissão da minha «Cédula de Baptismo», ALVES da SILVA. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Um blog só para mim!

 


Eu penso, escrevo e leio sem a companhia de ninguém. É uma vida solitária que talvez pudesse ter outra valia se houvesse alguém a atirar umas bolas. O meu cão chama-se NERO, porque é negro como uma noite de lua nova. E o NERO só gosta de quem joga à bola com ele, é o único vício que ele tem, coitadito!

Eu vou escrevendo o que me dá na mona e espero um dia colher os frutos do meu trabalho!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Os «Olhos azuis»!

 Nunca saberei o aspecto que tinha a minha bisavó Eusébia. As máquinas fotográficas eram ainda muito raras, quando ela viveu (de meados de século XIX até meados do século XX), e desconfio que pouca gente as tinha visto ainda, quando ela faleceu - no mesmo ano em que começou a II Grande Guerra - na freguesia de Macieira. Freguesia em que nasceu, em 1852, e à qual regressou, depois de uma longa ausência, para ali morrer e ser sepultada. Aliás, a título de curiosidade, quero acrescentar que depois dela nenhum dos seus descendentes lhe ficou a fazer companhia naquele chão sagrado. O filho ficou na freguesia para onde foi aos 10 anos de idade e a filha faleceu e está sepultada em Touguinha, freguesia de Vila do Conde, assim como a sua neta e o marido desta. Os descendentes das gerações seguintes estão espalhados pelo mundo, Portugal, França e Brasil.

Ia eu dizendo que nunca saberei como era a cara da minha antepassada, mas de uma coisa tenho (quase) a certeza, os seus olhos eram azuis. Lembrei-me disto, há dias, quando olhava para a fotografia do meu primo António, sepultado no ano passado, no cemitério de Barqueiros. Ele tinha os olhos azuis, a minha mãe também e metade dos meus irmãos a mesma coisa. Ora, a raiz que une toda esta gente é a nossa bisavó e, portanto, dela os herdamos. A sua filha Maria tinha olhos castanhos, mas a sua neta Rita nasceu com eles azuis. O primo António era neto do tio Carlos e também veio ao mundo com os olhos azuis. Seriam do avô Carlos ou viriam de outra origem? lembrei.me, de repente, que a Maria Páscoa, filha mais velha do tio Carlos, também tinha os olhos azuis e foi dela que o primo António herdou os seus.

Maria, neta pelo lado do seu filho e Rita, neta pelo lado da filha, ambos com os olhos azuis levam-me a concluir que os herdaram da avó Eusébia e os transmitiram aos seus descendentes. Tem lógica, não tem? Ok, assim fico mais satisfeito, não sou o único a pensar assim.

Nos tempos antigos era mais comum fazer-se um retrato das pessoas, para ficar para a posteridade, do que tirar uma foto. Mas para isso era preciso ter pilim, pois os retratistas não trabalhavam de graça e um retrato levava o seu tempo a fazer. Infelizmente, esta minha antepassada mal tinha com que alimentar os seus dois filhos, Carlos e Maria, portanto nada tenho para vos mostrar. Se tiverem uma imaginação como a minha podem construir um retrato ao vosso gosto, dela só vos ofereço o título ... EUSÉBIA (Alves de Sousa).

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Maria Alves de Sousa!

 

Aos sete dias do mês de Outubro do anno de mil oito centos e noventa, na igreja parochial de Barqueiros, concelho de Barcelos e diocese de Braga, baptisei solenemente um indivíduo do sexo feminino a que dei o nome de Maria que nasceu pelas três horas da manhã do dia seis do dito mês e anno, no logar de Lagoa Negra desta freguesia, filho legítimo de Agostinho Dias, desta freguesia, e Eusébia Alves de Sousa, da freguesia de Macieira de Rates, nesta recebidos, parochianos e moradores; neto paterno de Domingos Gomes, desta freguesia, e Maria Antónia, de S.Miguel da Apúlia, e materno de Joaquim Alvares de Sousa e Maria Isidória, de Macieira de Rates. Foram padrinhos S.António, cujo patrocínio invocaram, e Maria dos Anjos Páschoa, solteira, jornaleira, desta freguesia. E para constar lavrei em duplicado este assento lido perante e conferido perante a madrinha e vou somente assinar por esta não saber escrever. Era ut supra.

O Parocho : António do Patrocínio Domingues de Araújo.

Averbamento à margem:

Faleceu em Touguinha, concelho de Vila do Conde, em 30 de Abril, doc. nº 122, maço nº 5. Em 7 de Maio de 1970. Maria Clara

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Os Alvares meus antepassados!

 


Até onde consegui pesquisar - não pude ir mais longe, visto não haver registos anteriores a 1673, em Pedra Furada - tudo começou no lugar de Real da freguesia de Pedra Furada, concelho de Barcelos, com o casamento de Bento Alvares com Izabel Antónia, no ano de 1703.

Bem me queria parecer que havia uma razão forte para a minha bisavó Eusébia se ter refugiado nesse lugar, quando se viu grávida sem ter marido. Havia com certeza alguém da família que a acolheu e por ali se manteve sempre, até aos nossos dias. As velhotas da Quinta do Passeia para onde casou o Daniel do Jerónimo (por alcunha «O Maurdito») eram também elas Alvares, netas bisnetas ou trinetas do Senhor Bento, assim o creio. Ninguém me tira da cabeça que a Quinta do Passeia era propriedade deste personagem, Bento Alvares, referido no parágrafo anterior.

No ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1711, nasceu uma filha a este senhor, a quem foi posto o nome de Maria e que viria a casar com um tal Joze da Fonseca, da freguesia de Goios, para onde foram morar, depois de casados e criar os seus filhos.

Desta Maria Alvares nasceu outra Maria que conservou o mesmo apelido, no ano de 1744, e veio a casar com o nosso já conhecido e mui famoso avô Jerónimo Ferreira, ele também descendente dos Alvares. O seu avô Miguel Alvares, de Chorente, casou e foi viver para o lugar da Ribeira, da freguesia de Gueral, Quando o seu filho Manuel se casou com uma filha da Casa dos Velhos, de Macieira, já não usava o apelido de Alvares do seu pai, mas sim o de Ferreira.

No ano de 1743, nascia no lugar do Outeiro, Jerónimo, filho de Manuel Ferreira e neto de Miguel Alvares. Também no lugar do Outeiro, mas desta vez na freguesia de Santa Maria de Goios, nascia, no ano de 1744, a Maria Alvares que referi no parágrafo anterior. O casamento destes pombinhos trouxe o apelido de Alvares para Macieira e lá o manteve, enquanto a minha família lá morou.

Mas vamos por partes. Entre os filhos de Jerónimo e Maria houve um José, nascido no ano de 1768, que casou com uma menina de Balazar chamada Illena de Souza. Deste casal nasceram vários filhos, entre eles o Joaquim, no ano de 1817, que deu seguimento à família e ao apelido Alvares, acrescentando-lhe o Souza da sua mãe.

O Joaquim foi diferente de todos os seus antepassados e casou com uma moça da sua terra, de seu nome Maria Isidória, no ano de 1842, e deste casamento nasceu a minha bisavó Eusébia, em 1852, e mais um rancho de filhos. Depois dela veio a sua filha Maria, nascida na Lagoa Negra, em 1890, e desta a minha mãe Rita, em 1916. Todas mantiveram o apelido de Alvares, a partir de certa altura mudado para Alves, e o transmitiram a mim e meus 11 irmãos.

Andava mortinho por rascunhar estes dados para que constem para a posteridade e para quem se interesse por eles.

 

domingo, 4 de setembro de 2022

Confusões!

 Os Alves e os Gonçalves não têm nada a ver!

Uns são os descendentes do Álvaro e os outros do Gonçalo.


A ocupação do nosso país pelos romanos trouxe esta forma para os nossos apelidos. No período anterior a este, cada pessoa recebia um nome de baptismo a que se juntava o nome do pai - Ex: António Gonçalo, para um filho do Gonçalo - o que criava alguns imbróglios, em especial se queriam ao ao filho o mesmo nome do pai, pois Gonçalo Gonçalo não soaria muito bem.

Os romanos resolveram o problema de uma forma muito simples, pondo o nome do pai na forma genitijva que é como quem diz "filho de". Assim, Alvares é filho do Álvaro e Gonçalves é filho do Gonçalo.

Quando a Igreja Católica decidiu começar a registar os baptismos num libro apropriado e que hoje se encontra microfilmado e guardado na Torre do Tombo, já existiam por todos o Portugal estes apelidos. Por exemplo, na minha paróquia Gonçalves é um dos primeiros apelidos que aparece logo na primeira página do livro. Conhecem a história dos alcaides de Faria? Ora aí está, Gonçalo Nunes e Nuno Gonçalves.

Na minha família, o ramo feminino trouxe o nome de Alvares, depois Alves, desde o Século XVIII até à actualidade. Do lado da minha mulher acontece o mesmo com o apelido Gonçalves, embora este venha do ramo masculino da família. Entre filhos , netos e bisnetos vamos tentar mantê-lo para o futuro.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Mensagem de teste!

 Só para ver o tipo e tamanho da letra!

Agora, já percebi!

Se copiar algo de outra fonte, o meu texto assume a mesma forma!

Fiquei sabendo, vou tentar não esquecer!

Afinal, eu também sou famoso!

 Pedro Álvares Cabral[A] (Belmonte, 1467 ou 1468 – Santarém, c. 1520) foi um fidalgo, comandante militar, navegador e explorador português, creditado como o descobridor do Brasil. Realizou significativa exploração da costa nordeste da América do Sul, reivindicando-a para Portugal. Embora os detalhes da vida de Cabral sejam esparsos, sabe-se que veio de uma família nobre colocada na província interior e recebeu uma boa educação formal.


Cabral pelo lado do pai e Álvares pela parte da mãe (suponho eu), eram assim as regras antigamente!

Também as mulheres da minha família, desde meados do Século XVIII, carregaram esse nome e o trouxeram até mim. Ou seja, o homem famoso que descobriu o Brasil era meu parente!

domingo, 5 de junho de 2022

A dona do nome!

 

Assento de baptismo
de
Maria Alvares da Silva

Filha de Jose da Fonseca e Maria Alvares nasceu no lugar do Outeiro da freguesia de Santa Maria de Góios, em 23 de Agosto de 1744.
Ela que viria a casar com o meu avô Jerónimo Ferreira e trazer o apelido Alvares, mais tarde Alves, para o lugar do Outeiro da freguesia de Macieira de Rates, lugar onde nasci 200 anos depois.