sábado, 28 de janeiro de 2023

Os apelidos!

 


Eu tenho uma família grande. São 5 irmãs, começo por elas como aconselham as regras da boa educação, e 6 irmãos e meio. O último é só meio, porque não nasceu da minha mãe, é apenas filho do pai que o arranjou, antes de arrumar as botas da sua masculinidade.

Elas, as irmãs, casaram-se e assumiram os apelidos dos respectivos maridos, Correia, Cardoso, Moreira, Santana e ... chega que a última ainda é solteira. Quanto aos irmãos é que foi uma grande confusão, o primeiro quis ser Silva, o segundo preferiu ser Alves, o terceiro voltou a ser Silva e os 4 restantes dividiram-se a meio, metade para cada lado, os Alves muito mais marcantes que os Silvas pela profissão e contacto com o público escolhidos. Há quem viva a ouvir, de manhã à noite, Sr. Alves para aqui, Sr. Alves para ali, enquanto outros ouvem apenas o seu nome próprio, bom dia Tony, olá Jorge!

O mundo é assim mesmo, ninguém votou para ser assim ou assado, foi, simplesmente, acontecendo e assim ficará para sempre. O meu pai, de quem herdei o apelido Silva, gostava que o tratassem por Sr. Oliveira, nome de família da minha avó Ana Maria, e quem o conhecia bem respeitava esse seu desejo. Mas a maior parte das pessoas que não estava por dentro desses segredos, sim porque preferir o apelido da mãe em vez do do pai tem um segredo que vos não vou revelar, tratava-o pelo seu nome próprio, Sr. António, ou apenas António.

O segredo que envolve o meu pai atinge-me também a mim, eu preferia ser Santos em vez de Silva, mas não me vou pôr de joelhos a pedir às pessoas que alterem o registo que têm gravado na sua memória, há tantos anos. Nasci Silva e vou morrer Silva e o resto que se dane.

Mas voltando aos irmãos ALVES que quiseram preservar para a posteridade  o apelido da sua mãe e avós maternas, o Quim, o Zé e o Aires, hei-de perguntar-lhes se foi decisão sua ou houve alguém que os empurrou para esse caminho. Uma coisa interessante e que pode ter alguma coisa a ver com isso é que todos eles gastaram a sua juventude, estudaram ou tiveram o primeiro emprego, em Vila do Conde. O primeiro deles começou a trabalhar, com 13 anos, em casa de uma família que também era Alves e talvez venha daí a escolha do apelido a usar para o resto da vida. Os outros dois, talvez por frequentarem o mesmo espaço e serem conhecidos por irmãos do primeiro Alves. Se não foi assim foi de outro modo que não conheço e nem vou matar-me por causa disso.

O meu avô mais velho que só conheci através da Genealogia era ARAÚJO, depois veio um FERREIRA e a seguir a esse um ALVARES e a partir daí foi sempre o nome da linha feminina que prevaleceu, Alvares ou Alves, até ao Século XX, em que a República tentou pôr ordem nas coisas e construir os nomes de família com o primeiro apelido da mãe e o último do pai, regra que foi, integralmente, respeitada na emissão da minha «Cédula de Baptismo», ALVES da SILVA. 

4 comentários:

  1. Isso é que tem sido afinco na descoberta da sua árvore genealógica.
    Eu não teria tanta paciência...
    Vou ver de descubro o brasão da família Moreno... :)

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    1. Bem me pareceu que, mais dia menos dia, viria aqui parar! Eu gastei 6 meses inteirinhos a transcrever para uma folha Excel todos os baptismos e Casamentos da minha aldeia, esperando despertar a curiosidade de algum filho da terra. Não me serviu de grande coisa.

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  2. Bom dia
    Confesso que gostava de fazer assim um estudo sobre a minha família e até não será porfalta de tempo , não sei é mesmo como.

    JR

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